Conversar com um amigo é compartilhar o prazer
de reanimar
inúmeras vezes
um cadáver.
A criatura fúnebre é segurada por quem fala,
que começa por arrancar-lhe
o esqueleto
para recobri-lo com carne
e pele
das próprias experiências.
Quando lembra tratar-se de um ser morto,
joga-o no colo do parceiro,
que fará procedimentos semelhantes.
Arranca o esqueleto do corpo
anteriormente moldado pelo amigo
e o veste com as palavras
e histórias
convenientes a si.
O morto vai-vem-feito peteca,
tendo seus ossos arracados
e revestidos
a cada vez,
só para serem destroçados
e amor-tecidos em seguida,
amasseando
a dureza
do que permanece.
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