sábado, 31 de março de 2018

sexta-feira, 30 de março de 2018

1ª Conferência das Novas Leis do Universo


Aos contempladores de abismos que aqui estão
Que os contemplam vendo
Ou os contêm por dentro
Prestem atenção!
Nem todo abismo é vento.
Por isso escolham seus abismos com precaução.
Não que escolhamos abismos tão assim... escolhidamente
Mas podemos nos demorar em um abismo que nos captura
mais advertidamente
Há certa distância apropriada, muito cuidado!
A diferença entre beleza e horror é um passo mal dado.
Então pra cada abismo há uma distância segura e variável
O que é uma merda, pois tal distância não está em manual algum
nem é mensurável.
Um tanto enlouquecedor.
Sugiro pauta prioritária nesta conferência,
“Limites entre contemplar
e contempla-dor.”

me apaixono pelos mistérios que me entendem
me apaixono pelos mistérios que invento que me entendem
me apaixono pelos mistérios que esqueço que invento
me apaixono pelos mistérios que me fazem catavento
me apaixono pelos mistérios que viram certezas
me apaixono pelas certezas que viram vento
Escrevo pra me inscrever poesia, antes que vire azia, porque angústia quando emerge é  poesia em potencial.

Sublime ação da poesia que sublinha na ação, magia, camuflando querer em estética ideal

Que Platão já morreu nos sabemos e ousamos, não menos, do que burlar as leis da existência

Ao ressuscitá-lo no amor, torná-lo doce dor e só de ideias não vivas fazer a vida que se vive que se não vive que vida que se tem? Por que nao viver em vida o que se vive pra se viver pra além?

Pulsando entre o que se pode e o que se esta sendo e o que ser quer ser...

Há uma besta em mim que não me basta e que parece sumir quando viro palavra. Mas ela não foge, só se esconde e chacoalha a fala. Ela desliiza pela fala, com espinhos, lambidas, rosnados, texturas e tessituras que nem sei de onde vem. Modulo pra atacar mais tênue e não acabar por matar alguém.

Nesse mata-não-mata morro aos poucos entre os loucos que vivem no fogo cruzado fechando os olhos pra se salvar. Se correr vou ter que usar pernas e atrofio asas pra voar.

Diga, apenas diga, porque medo de dizer o que sente?! Medo de ficar nua,  de não ter mais o que dizer e calar crua razão demente .... que desmente... Nem tente me desabar! Porque se desabo não me caibo e acabo pela besta me devorar.

Diga, besta!, o que queres? Vamos acabar logo com isso!

Mas acabar com o quê?... se o abraço é eterno com nosso sumiço.
[...]“Eu sou Deus… e nao sei o que fazer com tanto poder, nao sei… sou Deus!” Não era dito em palavras assim, mas em lágrimas que escorreram pelos olhos…. o prazer, o vazio…. E todas as partículas trabalhavam na eterna repetição daquela cena absoluta, que se apresentava diante de si: imagem em sépia de um homem deitado, enconstado numa árvore, meio chorando, meio cansado… e uma vitrola ao seu lado cantando levemente:
~eu vi da minha nave
um instante de eternidade
nessa canção~
Havia acessado a memória central do jogo, que se repetia infinitamente.
“É bom lembrar, não é?” disse uma voz ao longe. Lembrar a beleza e angústia das nossas prisões. Viver para sempre essa mesma cena.
Paradoxo da prisão de Deus em deslumbramento.

Metamor-mortes

Ensaio minha morte
Em mil vidas que se vão
Em mil vidas entretidas
Com migalhas de pão
Migalhas que mastigo
Digerindo o morrer
Mordidas sem sentido
Que postergam o enlouquecer...
Até que enlouquecer
Parece a solução!
E abraçada com a morte,
A vida me dá a mão.
MANIFESTO POR OUVIDOS À PROVA DE BERROS DA CAFEÍNA!
OU SALAS À PROVA DE SOM EM CADA ESQUINA!
POIS NÃO EXISTE LUGAR PRA BERRAR NA CIDADE
NÃO EXISTE LUGAR PRA BERRAR
PRECISO BERRAR! MAS NA CIDADE NÃO TEM LUGAR
PRECISO BERRAR
PRECISO BERRAR EM CASA, NA CALÇADA OU NO BAR
QUANDO VEM UM AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRG
NA CIDADE NÃO TEM LUGAR PRA ISSO QUE NÃO CABE EM MIM
NÃO TEM
NÃO ME TENHO
RETENHO.
PRECISO BERRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR!
PRECISO CORRER SEM ME ABANDONAR
PRECISO BERRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR!
PRECISO BERRAR
PRA ALÉM DO CAPSLOCK NO COMPUTADOR
OU DA BOCA SUFOCANDO CONTRA O TRAVESSEIRO
DESCARREGAR A ANGÚSTIA MUDA
QUE DE LEVE LEVO O DIA INTEIRO
ATÉ QUE TUDOJUNTAPERTESSINTO
QUE BERRRRRRRAR É PRECISO
BERRAR PRA SENTIR QUE COM ISSO NADA MUDA
SÓ MESMO SE EU TROCAR A BERMUDA
OU SABER ESTAR DESNUDA
MAS POR ENQUANTO PRECISO BERRAR!
E NÃO EXISTE LUGAR PRA BERRAR NA CIDADE
PRECISO BERRARRRRRRRRRRRR!
PRECISO FUGIR E VIRAR AR
PRECISO VIBRARRRRRRRRRRRRRRRRRRR NUM GRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRITO INFINIIIIIIIIIIIIIIIIIIITO DE LOBO CANTANDO CIGARRA LATINDO VACA UIVANDO CACHORRO MUGINDO E PARAR DE FINGIR QUE HUMANO NÃO É ANIMAL ME DEIXA BERRAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAR E TER ONDE BERRAR SEM ME SOCORRER OU PERGUNTAR QUALQUER COISA OU MANDAR PRO HOSPÍCIO
SE EU BERRAR DEIXA EU EXISTIR

DEIXA EU SER UM GRITO!!!!!!
Sinto saudades de ti
Quando há tempos não me vejo
Sou filha da angústia
Dela me protejo e me crio
Entre pele,
palavras e
imagens

Poesia viva liga palavra à pele Entre palavras flutuantes
E corpos insignificantes
Carrego comigo um cemitério de poemas mortos

Sou resultado de todas as perguntas que já me fiz
Que me faço
Que desfiz
Que disfarço
Faço caras
E mais caras
Máscaras
E bailo!
Há uma parte de mim que não acredita em nada do que digo
E outra com a qual me instigo
Quantas vezes preciso me desdobrar
Pra descobrir
Que sou a dobra?

GREVE CONTRA DEUS!

- uma ferramenta coletiva política para reivindicar
explanações sobre a bizarra arte de existir -

Ó, Deus. Ó, DEUS!
Deus de todas as coisas
Deus que está em todas as coisas
Deus que é todas as coisas!
Deus de todas as formas e de forma alguma
Deus, deusíssimo, profanamente sagrado!
Divindade divina de vina, de cortina, de parafina
Que aparece nas alucinações de morfina
Deus que cria rotina, manda fazer faxina
Deu, né, Deus?
ADEUS!

Não vos queremos mais.
CANSAMOS DESSA MERDA TODA.
Dessa vossa moral imortal no pedestal.
Maldita moral do bem que faz mal
Moral-idade segundo a qual criança é “imatura”, adolescente, “revoltado”, adulto, “sábio” e velho, “gagá”
Moral que escraviza vidas por pedaços de papel e empurra da cama às 6:35 - o dia precisa render!
Moral maléfica dos homens de bem
Moral daqueles que têm contra todo sujeito sem bens!
Boa moral do mal
Que legitima milhares de mortes para saciar alienadas papilas gustativas e bolsos, muitos bolsos!
Que autoriza arbitrariamente a autoridade dos com moral para tirarem liberdade dos sem
Que se emociona com ordem e progresso! Ah, sim, honra orgulho e pudor também são lindos ♥

Maldita moral do bem
Moral do medo que entretém e prova como o Coliseu está vivíssimo
Moral do “promíscua, vadia, fiu-fiu, bicha, boiola!”
Moral da carroça no tempo do carro elétrico
Do “vou ter o novo Ipod enquanto o resto do mundo se fode”
Maldita moral poderosa do governar que enfia na cabeça a necessidade de sermos ditados
Moral legal a das leis, dos reis
Que permite comidas mutantes e condena o fumo de plantas
Bela moral que idolatra deuses e reprime seres vivos
Que obriga a “ou-ou então”s, rejeitando “e, e ,e ,e”s
Moral do “o quê?”, moral do “quem?”, moral do “quanto?”
Do como falar, pensar, amar, ser, sentir - faça assim, não assado!
Moralidade que adestra corpos escondendo pele, ensinando movimentos, aniquilando corporeidade
Na eterna Idade Média mascarada, a moral é soberana
E, acima de tudo, obriga à felicidade.

Por isso, ó, Deus!
Matéria e Anti-matéria aliam-se para protestar, porque a coisa está foda.
Num motim rebelde, FORÇAS E SUBSTÂNCIAS DO UNIVERSO JUNTAM-SE E DECRETAM GREVE CONTRA VOSSA DIVINDADE!
Greve contra vós que é tão greve contra nós mesmxs, contra a existência, contra o deixar de existir, contra o que não existe
Greve contra humanos terem nascido sem asas de borboletas
Greve contra humanos nascerem pensando que precisam ter asas
Greve contra a busca desenfreada pelas asas que nos faz acreditar ser essa a única forma de voar!
Greve contra o antropocentrismo que começou um protesto Universal rodeando umbigos de minúsculos hominídeos destrutivos

Greve contra a necessidade de coerência e lógica dos louvados raciocínios
GREVE, GRAVE, GRITO, RITO, GATO, ATO... atura... tortura... GRA-VIOLA, GRAVATA, GRAVA, GRATA, TAVA, RATA, ATA... não me MATA por viver À TOA!
Greve de Saturno que carrega o peso dos anéis pela boniteza do assim-ser
Greve da formiga que precisa escalar dez andares pra chegar ao açucareiro
Greve da meia que abriga o chulé produzido pelo suor devido ao seu próprio tecido
Greve do buraco negro que engole luz ao invés de vomitar estrelas
Greve do porco que não pode e nem quer olhar pro céu
Greve do graveto que teve sua madeira manchada de vermelho pelo dedão espetado
Greve dos elétrons de um átomo que, ao mesmo tempo, estão e não em orbitais buscando estabilidade
Greve do mesmo e do outro e do mesmo outra vez
Greve do meteoro fadado a rodar em círculos eternamente ao ser capturado por um sistema solar
Greve da barata que sobreviveu à bomba atômica e foi esmagada por um chinelo
Greve do pêlo mutilado pela Gillette
Greve do ET que um dia há de trombar com o Homo sapiens sapiens
Greve da grama queimada pela urina do cachorro
Greve do furacão, da tsunami e do magma que têm belezas destrutivas
Greve da criança que retém fezes - vamos todos nos compadecer e reter fezes também!
Greve da flor arrancada da árvore para viver seus últimos suspiros atrás da orelha
Greve do dois, do três, do quatro e do X contra o Um que se acha tão importante assim que precisa ser provado a cada vez
Greve da grave gravidade que é centro das coisas e faz pesar, apesar do não peso
Greve da ambiguidade que confunde, funde, difunde, dói a cabeça... esqueça!
ENFIM, GREVE QUE ACONTEÇA!

Num belíssimo contratempo em que o tempo abdicar ao trono
Os raios solares freiam seus trajetos à retina- até porque a retina abriga a classe proletária dos cones e bastonetes sem trabalhar, exigindo melhores imagens!
As folhas recusam-se a fazer fotossíntese, já que ao cipó-chumbo não foi dado esse mesmo direito e, por isso, virou “parasita”
As moléculas ficam imóveis para entrarem no Guiness por conta própria, questionando quem é o sr Saber Científico para dizer o que é absoluto. Um Zero, Kelvin?

A gravidade não mais gravitaciona
A placa não mais tectoniza
Os pólos foram embora de mãos dadas
E já não se sabe mais o que é norte e sul!
O Universo simplesmente questiona
Todx e qualquer vivente, não vivente, coisa nomeada, coisa sem nome, objeto, partícula e força olha para cima
Olha para dentro
Olha ao redor
Olha para baixo
Olha em todas as direções simultaneamente
Olha, sem olhos, os olhos sem globo ocular dos jamais olhados
Com olhar interrogativo, durante uma eternidade atemporal que contesta a ilusória lógica existencial, produtiva e positivista aparentemente intrínseca a... tudo, querendo entender:
QUE PORRA É ESSA, DEUS???
Exigimos resposta para retomarmos nossas atividades
- estejam essas descritas na Bíblia ou no Mil Platôs.

Com muita perplexidade e ódio,
Todas As Coisas (supostamente) Existentes
O tempo passa
devagar
desde que
você
saiu
pela porta.
Divagar,
a vagar...
Meu corpo chora.
Meu olho embaça... Acho até graça.
Já era hora.

Cadeia do pensamento

Fazer sentido é lógica e afeto e pensar e sentir e sentir porque pensa e pensar porque sente e criar percepções inseparáveis de sensações que atiçam as ideias numa subjetividade objetiva inter(in)dependentemente. O sentido que faz a lógica só se faz pelo que se sente. Se ondas e partículas caóticas que nos afetam entrarem no espectro para o qual fomos adestrados a receber informações nessa cultura ciento-gramato-logocêntrica, o fazer sentido sente na dimensão lógica humana. Afecções capturadas pela formalidade de um sistema que escorrega no dia-a-dia, no blablablá, na poesia. Sistema de lógica coerente, corrente pelos poros sensoriais que sentem. Sentem coerência ressonante apenas com as formas de sentir produzidas, formuladas, des-controladas nesse mundo Sapiens sapiens e esquece que tudo o que se sente faz sentido.
Mas menina,
Vais passear novamente por esses pensamentos?!
Há tantos outros,
Inexplorados...
E tantos mesmos,
Mais engostosados.
Acalma as ideias que te inquitam!
Sente os poros entre elas...
E deixa entrar ares
Que libertam

Eu poderia me tornar profeta
Mas para me levarem à serio
Eu viro poeta
Pois o que não se explica
Se multiplica
Procuro ar-repios
Pra lembrar corpo que sou
Cor-porque-sim
Corpo que quer
Corpo qué copo
Corpo qué corpo
Corpo qué coporque corpo qué corpo
Corpo qué corpo-eira
Corpo que queira
Formiga com formigueira
E radical mig, amiga, amor
Vida pela existência da dor
Quidor-quidor-quídea

Convertendo arrepios em vida

batata palha

bata croc
ta ata toc
trr palhata troc
tr
tri
trrritura f
fri
ffri
free
tura c
croc rocc corc
antchi
tchicroc
croc-antissssss
sstruc torrrtu
rantchi
krok ck
troque storque
crack cock crrrock
track toque trrroquesss
ssssstructura
torrrrr
turacbatac
taf
fataff
f freak
frii
fr-ac
tura
struc truc trucsss
sal
turacroc
glump
lummp rum-ptura
ummpalll
ump
in-turassaturas
salturas
sal

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